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Terça, 19 Novembro 2013
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Terça, 19 Novembro 2013
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De algum tempo que o termo resiliência se tornou popular nos textos e reflexões que abordam questões psicológicas. Oriundo da Física, significa a capacidade que alguns metais têm de receber e absorver um impacto, retornando à sua forma original.

 

No âmbito psicológico, o conceito está ligado à habilidade psíquica de lidar com frustrações, absorver e elaborar suas ações traumáticas, aceitar o inevitável e alterar o que for possível, retornando a um estado de harmonização interior.

Apesar da aparente novidade, a ideia é antiga, tendo Freud defendido que uma mente saudável precisa ter um ego forte e flexível, justamente o mesmo sentido do conceito resiliência. Um ego forte possui capacidade de enfrentar e alterar os estímulos indesejáveis, internos e externos, e, por ser flexível, tem a habilidade de absorver os impactos, adaptando-se às novas situações que surgem sem grandes afetações.

Vale ressaltar que a ideia de força egóica não pressupõe rigidez. Isso acontece mesmo a nível biológico com a musculatura do corpo humano que pode ter força mesclada com flexibilidade. Na verdade, na maioria das vezes, um ego rígido não tende a ser forte, mas se esconde, na sua rigidez, de uma fragilidade com a qual não consegue lidar. São aqueles tipos de pessoas tão temerosas das mudanças e variáveis da vida que tentam impor sua vontade inexorável ao destino que, com certeza, não se curva a estes caprichos. Acabam por adoecer psicologicamente como forma de fuga de uma realidade que frustrou seus desejos imaturos e com a qual não sabem lidar.

A falta de resiliência vem, então, acompanhada de sentimentos de revolta contra as adversidades. Esta revolta é fruto do orgulho narcísico que quer controlar a vida, concretizar seus desejos ao longo do caminho sem nenhuma frustração. E é aí que surge o que chamamos de dor secundária, típica dos revoltados, que se sobrepõe a uma dor primária. Se a dor primária é inevitável, por força das contingências da realidade impermanente em que vivemos, a dor secundária é opcional, fruto da não aceitação que faz com que qualquer problema se torne pior do que poderia ser.

Baseados nessas premissas, podemos dizer, sem medo de errar, que pessoas resilientes são mais felizes do que as revoltadas, porque aceitam as dores primárias enquanto as outras geram uma nova dor que se encontra na revolta.

Se você quebrou suas duas pernas e não pode andar, ainda assim te restam opções: aproveitar a imobilidade para fazer coisas interessantes como ler, atualizar contatos, ver alguns filmes, ou se revoltar na lamentação do que não pode fazer diante da incapacitação momentânea. A escolha é sua.

É claro que, a meu ver, alcançar níveis mais satisfatórios de resiliência pressupõe algumas habilidades psíquicas. Uma delas será mudar o ponto de vista. Quando você observa a vida pelo ângulo restrito de uma só existência fica mais fácil se sujeitar ao desejo do gozo absoluto – já que tudo vai acabar um dia e não existe sentido maior para nada – e difícil lidar com a sua frustração. A percepção espiritual, sob qualquer foco religioso ou filosófico, aumenta a sensação de impermanência, de uma relatividade existencial que ressignifica os fatos do cotidiano dentro de uma dimensão muito mais ampla, portanto menos fatalista.

Não é por acaso que os conceitos atuais de saúde, mesmo os materialistas, envocam a necessidade de satisfação física, social, psicológica e espiritual. Não espiritual enquanto doutrina espiritualista ou sectarismo religioso, mas a dedicação a reflexões de religiosidade que tragam novas compreensões existenciais.

Quando o antigo Mestre da Galiléia recomendou a humildade como requisito para se herdar a terra prometida, de paz e ventura, na verdade recomendava uma maior aceitação dos fatos da vida. Não a aceitação passiva que o Estado cristão nos impôs, com interesses de dominação, mas uma aceitação ativa, resiliente, sem revoltas, promotora de força e flexibilidade egóicas para os enfrentamentos e transformações do caminho.

 

 

 

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TEMA: “A luz do mundo”